Quando os ônibus chegaram a chácara, todos desceram entusiasmados e eufóricos. A diretora os guiou pela propriedade, parando na metade do caminho para conferir se estavam todos ali. Era a comemoração do final do ano letivo das turmas da oitava série, os alunos se despediam do último ano daquela escola particular.
O sol começava a se pôr, quando chegaram a área das cabanas, a diretora reclamou das péssimas condições delas. Porém para os alunos aquilo não era algo muito relevante, pois a maioria acamparia sob o luar. No meio das cabanas havia uma piscina, a alguns metros havia um campo de futebol, com densas árvores ao fundo. Ténorio e Mariano escolheram a cabana mais afastada. No caminho apareceram mais dois amigos, Jardel e Procópio, que os acompanharam. A cabana tinha uma porta de madeira precária, tinha a parte de baixo deteriorada formando um buraco. Quando entraram encontraram uma lona preta sob o piso de chão batido, algumas cadeiras, uma velha mesa com um candelabro em cima. Encostado na parede havia um velho armário carcomido pelo tempo. Uma das paredes da cabana no fundo era improvisado com portas e janelas de madeira sobrepostas e pregadas com ripas, deixando um vão no alto de onde podiam sentir o vento entrar. Descarregaram mochilas e colchonetes no chão duro e saíram para encontrar com os outros colegas. A maioria se reunia ao redor de uma fogueira, conversando alto ou cantando clássicos do rock ao som de dois violões. Mariano observou Natasha sentada num tronco de árvore conversando com uma amiga. Os seus olhos se encontraram com os dela de forma penetrante. Mariano a desejava, seu corpo se eriçava, ele não desviava o olhar. Instantes depois ele e Natasha seguiam a sós para cabana. O vento começou a soprar mais forte trazendo pingos de chuva. Os adolescentes desataram a correr para as cabanas quando o chuvisco virou temporal. Quando Tenório, Jardel e Procópio adentraram na cabana encontraram Natasha e Mariano em beijos ardentes. Eles se acomodaram deixando Mariano se queixando "Vocês não poderiam ter demorado um pouco mais?". A chuva caia intensamente, via-se raios e ouvia-se trovões. A chuva entrava pelo vão da parede fazendo os jovens se afastarem. O vento frio balançava as telhas e a porta, entrando no interior do ambiente e causando arrepios. Procópio começou a mexer no armário velho e encontrou diversos livros empoeirados. um deles bem grosso e de capa encouraçada chamou-lhes a atenção. O livro não tinha título era totalmente manuscrito, a primeira parte estava em latin e a segunda era a tradução. Curioso, Procópio começou a virar as páginas. Na parte em português ele passou por páginas com títulos como "expulsar demônios", "ritual de adoração", "comunicar-se com os mortos", "convocar anjos e arcanjos". Grande parte do grupo estava assustado, porém Procópio e Jardel não levaram muito a sério. Pararam na folha "ritual para convocar espírito vingativo". "Vamos ler", disse jardel, Natasha e Mariano foram contra, porém os demais eram a favor. Diante do ceticismo dos outros, Natasha e Mariano não mais discutiram, e Procópio começou a ler, o final era assim: " Espirito imundo que habita as profundesas inanimadas da terra, que vaga pela escuridão mundana e tenebrosa, sai destas trevas obscuras e vem a mim, vem espírito rancoroso e vil". Por uma fração de segundos nada aconteceu, até que as luzes se apagaram depois de um trovão alto. Jardel correu até a porta e saiu, todo o acampamaneto estava às escuras, a chuva tinha parado. Ele voltou para dentro, e uma vela já tinha sido acessa. Momentos depois eles ouviram gritos vindos das outras cabanas. Natasha sentiu arrepios e falta de ar, como se alguém estivesse apertando seus pulmões. Quando ela virou instantaneamente com a vela na mão para o fundo da cabana, ela gritou. Havia um homem muito branco de aparência translúcida, seu rosto era não vivo, com olhos apagados. Parecia um caseiro de fazenda e tinha uma estaca na mão. Foi tão rápido que Natasha não percebeu na hora. A estaca atravessou-lhe o peito. Sua boca tremia sentindo o gosto amargo da morte. A vela de Natasha caiu no chão e apagou-se deixando tudo num breu. Os garotos correram até a porta e forçaram a sua abertura, porém a mesma não abria. O ser começou a cortar um dos jovens como se tivesse lâminas, picotando o seu corpo. Quando Mariano e Prócopio abriram a porta o luar iluminou o ambiente e eles puderam ver a cabeça de tenório sendo decapitada. Encontraram nas outras cabanas corpos esparramados e ensanguentados pelos cantos, fugiram desesperadamente pelo mato, quando Procópio teve o corpo dividido ao meio por lâminas invisíveis. Mariano correu por oito quilômetros até encontrar moradores num rancho. Contou desesperado o ocorrido. Os moradores lhe contaram que havia um boato de um fantasma do antigo morador que habitava aquelas terras, ele havia se matado a quase quarenta anos, e que muitos temiam passar em frente a chácara. Mariano chegou a conclusão que eles poderiam o ter atiçado. A policia chegou e associou o episódio a um maniaco matador em série. Mariano se internou numa clínica com problemas psicológicos.
Muitos juram que quando passam em frente a chácara, vêem um homem branco capinando o mato a desaparecer em seguida.